O Fascinante Mundo do Parapente

O parapente é uma modalidade de voo livre que atende tanto quem busca lazer e contemplação quanto quem prefere desafios e competição. Mundialmente difundido, o parapente conta com centenas de milhares de praticantes pelo mundo.

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ESPORTE AÉREO: VOO LIVRE

o que é o parapente?

Embora se assemelhe em alguns aspectos ao paraquedismo, o parapente não envolve salto de avião. O piloto de parapente não pula e nem salta, mas sim decola a partir de montanhas, utilizando exclusivamente o vento, a leitura do ar e o domínio técnico do equipamento. É um voo que nasce do relevo, da paciência, livre de barulho, de motor, mas com uma potente conexão com a atmosfera.

Um princípio semelhante se aplica ao paramotor e ao paratrike, modalidades em que o parapente passa a operar em conjunto com um motor. 

No paramotor, o motor é acoplado à selete (popularmente chamada de cadeirinha), permitindo decolagens em áreas planas e voos propulsados.

No paratrike, o conjunto inclui um triciclo com rodas, motor e assento. A decolagem não tem a necessidade de corrida nesse equipamento.

O leque de possibilidades do parapente é amplo e é justamente por isso que existem tantas modalidades. Cada uma oferece uma forma distinta de se relacionar com o ar, a paisagem e consigo mesmo, despertando sentimentos que vão da conexão profunda com a natureza à contemplação e, em alguns casos, à adrenalina.

O piloto de parapente pode optar por:

Piloto de parapente realizando um voo de lift em condições estáveis no final da tarde. cidade de Terra Rica

Serenidade

Escolher a tranquilidade de voar em condições estáveis, como finais de tarde ou voos em praias, desfrutando da paisagem por horas até pousar à beira-mar ao som das ondas. Esse voo é chamado de voo de lift.

Pilotos de parapente da Vento Norte paraglider realizando voo Cross Country para percorrer grandes distâncias utilizando correntes térmicas.

Percorrer distâncias

Buscar correntes ascendentes de ar, sem o uso de motor, para ganhar altura e percorrer grandes distâncias, modalidade denominada voo de Cross Country, cujo recorde mundial é de 609 km, conquistados no Texas.

Manobra acrobática de Parapente

Adrenalina

Realizar manobras acrobáticas, utilizando as leis da física e a gestão consciente do medo, em uma modalidade conhecida como voo de acrobacia;

Piloto caminhando com equipamento de parapente durante uma ascensão de Hike and Fly.

Hike and Fly

Subir montanhas deslumbrantes caminhando e, após a ascensão, realizar a decolagem de parapente. Caminhar e voar: simples na ideia, profundo na experiência.

Visualizar o mundo de um dos ângulos mais privilegiados, na base das nuvens, sobrevoando praias, rios, lagos, montanhas, desertos, vales e paisagens que revelam novas histórias a cada voo fazem parte de todas as possibilidades do esporte.

O parapente também oferece autonomia. Não possui estruturas complexas, nem de armazenamento e tampouco de transporte, tudo fica dentro de uma mochila. 

O paraglider não depende de força bruta, portanto homens e mulheres maiores de 18 anos podem se tornar piloto de parapente. Não exige preparo físico para iniciar, mas sim mobilidade e saúde mental.

ONDE TUDO COMEÇOU

A história do esporte

Parapente é o nome em francês. Significa voo de encosta. A França não é apenas o local onde nosso ávido aventureiro aviador Alberto Santos Dumont apresentou ao mundo o seu 14-Bis. A França também é o berço do parapente.

Pedimos desculpas aos historiadores, pois avançaremos alguns momentos, como os desenhos de Leonardo da Vinci, os estudos da NASA e o desenvolvimento e modificação do paraquedas. 

Com intensa curiosidade, ideias e mentes afiadas, engenheiros da aerodinâmica começam a testar projetos do que viria a ser o parapente. Passam a decolar de uma pequena colina no sul da França. A motivação era simples e genial, uma unificação do montanhismo com o voo: após conquistar o cume da montanha, descer voando.

A história do paraglider começa como prática esportiva exatamente nesse momento. O feito atraiu diversos entusiastas da natureza e da aviação. A notícia de que pequenos voos estavam sendo testados para descer das montanhas espalhou-se rapidamente entre montanhistas. No mesmo ano, já eram quinze praticantes. No ano seguinte, cinquenta. Em 1982, cerca de quinhentos. Em 1987, totalizavam cinco mil voadores espalhados pela Europa e quarenta escolas. Foi um crescimento vertiginoso para um esporte de ação e aéreo.

Estima-se atualmente que, no velho mundo, mais de 300.000 pessoas já tenham praticado o parapente ativamente, entre voos duplos e solos. Em poucos anos o parapente já estava presente em praticamente todos os cantos do mundo.

Deixa de ser um "transporte" e passa a ser

Um aerodesporto

Ou seja, passa a ser uma aeronave considerada um planador ultraleve flexível, e algumas da normas que recaem sobre o parapente é a RBAC  103 (Regulamento Brasileiro de Aviação Civil).

A descoberta que o parapente pode permanecer voando aconteceu.

O Voo de Lift

Rapidamente os aventureiros descobriram o voo de lift, a arte de permanecer no ar voando em encosta.

O parapente deixou de ser apenas um meio de descer montanhas. Ele passou a ser uma forma de ficar, de contemplar, de se integrar, de observar a montanha inteira, entender o relevo, o vento e o tempo. Foi então que surgiram as primeiras marcas de permanência no ar. Ano de 1985.

Oliver Jousse, com 1 hora e 45 minutos;
Roger Bedouet, 2 horas e 40 minutos;
Gérard Bossom, 3 horas;
Richard Trinquier, impressionantes 5 horas e 20 minutos.

Em terras tupiniquins, na cidadezinha litorânea paranaense, nosso amigo curitibano Kan permanece nove horas sobrevoando o Morro do Boi, na praia de Caiobá, em Matinhos, litoral do Paraná. Essa é a parte em que perguntam como ele fez xixi. Já aviso que é segredo dele. A não ser que você pretenda ficar muitas horas em voo. Aí descobrirá o segredo durante o curso.

Aquilo que dá sentido à paisagem é o laço invisível entre o homem e a terra.

Antoine de Saint-Exupéry

Aviador e escritor. Não escrevia sobre o céu como metáfora. Escrevia desde o céu.
DENOMINAÇÃO EM INGLÊS

Paraglider ou paragliding

Aqui, pela pátria amada, idolatrada, salve-se, salve-se quem puder! Utilizamos as duas denominações: a francesa (parapente) e a inglesa. E, “🎶já que sou brasileiro 🎶“, também chamamos de glider, asa, paraka, vela, velame, equipo e outros apelidos que a criatividade permitir.

Hoje, descer voando de parapente após uma ascensão de montanha, o chamado Hike and Fly, é apenas uma das inúmeras possibilidades do esporte, não é a única.

Existe uma galera da família Vento Norte que ama essa experiência e, vez ou outra, está deslizando pelo céu da Serra do Mar. Os cenários mais frequentes dessa jornada são o Morro do Araçatuba, o Anhangava e o Camapuã, montanhas que fazem parte da história do voo livre paranaense.

As duas últimas permitem o que chamamos de travessia. Decola-se do Camapuã e pousa-se em Antonina; nas decolagens do Anhangava, pousa-se em Morretes, para saborear o tradicional barreado. O visual é espetacular, considerado um dos mais belos da Serra do Mar, e o barreado é dos deuses. Não que eu pense muito em comida.

Foi justamente nesse caminho, passo a passo, subida após subida, que alguns Vento Nortenhos se tornaram gigantes no Hike and Fly brasileiro.

As montanhas não são estádios onde satisfaço minha ambição, são catedrais onde pratico minha religião.

Anatoli Boukreev

Alpinista Profissional de Alta Montanha
A COMPETIÇÃO MAIS DESAFIADORA

A modalidade Hike and Fly

Curiosidades: Uma das provas mais difíceis do planeta pertence à modalidade do Hike and Fly e se chama Red Bull X-Alps. Nela, os atletas selecionados (sim, não basta querer participar, é preciso ser escolhido a dedo) precisam percorrer 1.283 km pelos Alpes, atravessando cinco países: Áustria, Alemanha, Itália, Suíça e França, exclusivamente a pé ou voando de parapente.

O prazo para cruzar a linha de chegada é de quase 12 dias ininterruptos, com deslocamentos que ultrapassam, “brincando”, 100 km por dia, além de decolagens técnicas em terrenos selvagens e clima imprevisível das gigantes montanhas da Europa. É escalar, correr e voar… tudo ao longo de algumas das paisagens mais espetaculares do mundo: picos nevados como o Mont Blanc, vales verdes recortados por lagos glaciais, cumes rochosos rasgando o céu, florestas alpinas, castelos medievais e vilarejos históricos. Um cenário que impressiona profundamente quem assiste e transforma para sempre quem vive a prova por dentro.

picos rochosos parapente em voo neve ao solo

Brasileiro na competição Red Bull X Alps

Os atletas selecionados são capazes de correr montanhas e voar longas distâncias em condições extremas, o ápice da alta performance no esporte. Ainda assim, nem todos conseguem cruzar a linha de chegada. Em 2025, apenas 34 atletas foram selecionados para a prova, e o Brasil esteve representado por uma equipe que nos enche de orgulho, sem exageros nem falsa modéstia: nossos Vento Nortenhos e a nossa Vento Nortenha, formados aqui na escola. Eles mobilizaram a torcida do parapente em todo o país e emocionaram quem acompanhou cada etapa dessa jornada.

Para a edição de 2027, chegam ainda mais fortes. Agora, com o patrocínio da Itaipu, uma das maiores e mais respeitadas empresas de energia do mundo, ampliam as condições para seguir evoluindo e representando o Brasil no mais alto nível do voo livre internacional.

Gabriel Jansen Rabello – Atleta do Projeto Hike and Fly Brasil

Gabriel Jansen Rabello

Segundo brasileiro na história da competição a ser selecionado. Gabriel vem construindo um histórico nacional e internacional relevante extraordinário.

Eric Souza durante travessia em ambiente de montanha com equipamento de parapente no Projeto Hike and Fly Brasil.

Eric Souza

Atua no planejamento da navegação, gestão dos equipamentos, segurança e apoio rápido e eficiente no resgate em terra.

Catiane Kugelmeier durante caminhada em montanha com equipamento de parapente no Projeto Hike and Fly Brasil.

Catiane Kugelmeier

Primeira mulher brasileira a atuar como suporte em uma prova de hike and fly da Red Bull XAlps. Atua na logística de alimentação, hidratação e suporte emocional do Gabriel Jansen.

Vestimos nossas asas e fomos, continuaremos indo, em busca de paisagens e emoções.

PRATICIDADE NO IR E VIR

Facilidade do parapente

Antes que eu deixe passar batido um detalhe importante: você não precisa subir uma montanha a pé para decolar de parapente. Você pode sair do seu apartamento, entrar no elevador, colocar o equipamento no porta-malas, dirigir até o Clube Vento Norte – Morro do Cal, em Campo Largo, principal QG dos pilotos e alunos Vento Norte, saudar os parceiros alados, entrar no trator que leva até o cume da montanha em seis minutos e, “plunct, plact, zum”, levantar voo na rampa de decolagem. Não escorre uma gota sequer de suor. Simples, rápido e prático.

OS VOOS DE DISTÂNCIA

O incrível mundo do Cross Country - XC

Os voos de distância, conhecidos mundialmente como Cross Country (XC), são uma das expressões mais completas do voo livre. Trata-se da modalidade em que o piloto utiliza as correntes de ar ascendentes, as térmicas, para ganhar altura e, a partir delas, avançar pelo território, conectando montanhas, vales e cidades em um voo contínuo, pensado e construído decisão após decisão.

No Morro do Cal, os recordes de distância vêm sendo superados com uma frequência impressionante. Mês após mês, novos voos ampliam o mapa possível. O mais recente, enquanto este texto é escrito, ultrapassou os 200 quilômetros, com pouso em Jaraguá do Sul, em Santa Catarina.

Mas o voo de cross não precisa, necessariamente, ser sinônimo de distâncias tão longas. Há quem prefira voos locais, mais contidos, explorando a leitura fina do relevo e do ar ao redor. Dá para sair do Morro do Cal, Campo Largo e seguir até a charmosa cidade de Tibagi, ou a Lapa, e até mesmo fazer um cross mais curto até o Morro da Palha, Campo Magro, ali logo ao lado. Distância, no XC, é sempre uma escolha consciente, não uma obrigação.

É importante dizer: voos térmicos de Cross Country exigem técnica sólida, experiência acumulada e decisões assertivas em tempo real. Cada térmica mal aproveitada, cada linha mal escolhida “interrompe” a quilometragem. Nada acontece por acaso.

O cross em nossa região metropolitana de Curitiba não é sorte, não distribui talento ao vento e não oferece atalhos. Ele se constrói com estudo, dedicação, treino consistente, vivência e aquela intuição silenciosa que só os grandes pássaros e os pilotos atentos desenvolvem ao longo do tempo.

O verdadeiro propósito da jornada não é o lugar a que se chega, mas aquilo que se aprende no caminho.

Joseph Campbell

Professor, escritor e mitólogo norte-americano
OS ATRATIVOS DO PAÍS

Brasil - Território de Grandes Voos

Todos os anos, pilotos estrangeiros escolhem o Brasil pelas condições consistentes de voo e pela possibilidade concreta de superar recordes pessoais durante as temporadas. Vindos de diferentes países, eles não vêm apenas para voar longas distâncias, mas também para conhecer cidades brasileiras a partir de uma perspectiva aérea, compreender o território, circular pela região e vivenciar a cultura local enquanto desenvolvem suas trajetórias aéreas .

Por muito tempo, Minas Gerais foi reconhecida como o grande epicentro do voo de distância no país, a ponto de ser chamada de o “Havaí do voo livre mundial”. Mais tarde, o Ceará revelou ao mundo o potencial extraordinário do sertão nordestino e redefiniu, de forma definitiva, a escala do que era possível realizar em um parapente. Foi ali que marcas impressionantes colocaram o Brasil de forma definitiva no centro das atenções do voo livre internacional, com anos consecutivos de recordes mundiais sendo superados e uma movimentação crescente de atletas, equipes e visitantes do mundo do ar.

Com o passar do tempo, novos cenários foram sendo descobertos e consolidados. Hoje, além do Ceará, outros estados brasileiros passaram a integrar o roteiro da elite mundial do parapente quando o assunto é voo de distância, Cross Country. Regiões como Pernambuco, Paraíba e o norte de Minas Gerais tornaram-se destinos recorrentes para pilotos que buscam alta performance, e claro, há também um grande fluxo de estrangeiros não em busca de gigantes voos, mas sim explorar as nossas paisagens marcantes, hospitalidade e experiências autênticas. 

Nos territórios do XC, também se fortaleceu a prática dos voos rebocados, em que a decolagem ocorre ainda nas primeiras horas da manhã com o auxílio de sistemas de reboque, liberados logo após a saída do solo.  Ao decolar cedo com o reboque, o piloto consegue se posicionar estrategicamente para aproveitar o início desse ciclo e permanecer voando por muitas horas. Esta sendo amplamente utilizada em regiões capazes de sustentar marcas superiores a 500 quilômetros de distância, transformando áreas remotas em pontos estratégicos do turismo esportivo internacional.

As condições climáticas favoráveis, a vasta extensão territorial, a diversidade de relevos e as paisagens, fazem do Brasil um verdadeiro chamariz para o Cross Country. Enquanto grandes distâncias continuam sendo percorridas e limites seguem sendo superados, o parapente atua como vetor de desenvolvimento local, intercâmbio cultural e uma forma singular de conexão profunda com o território, uma experiência que começa no ar, mas se estende ao solo, às pessoas e às paisagens que tornam cada destino único.

Piloto de parapente, Rafael Saladini, durante voo de distância retratado no documentário brasileiro Ciclos sobre recordes de voo livre.
CICLOS - AS GRANDES ONDAS DO VOO LIVRE

Documentário Brasileiro sobre os recordes de distância.

Para quem aprecia documentários de montanha, vale muito a pena assistir ao média-metragem CICLOS, dirigido por Rafael Saladini e Pedro Dumans. São dois documentários que contam a história do recorde mundial de distância em parapente, em Quixada – CE.

CICLOS foi premiado em 2009 com os prêmios de Melhor Filme pelo Júri Popular e pelo Júri Oficial na Mostra Internacional de Filmes de Montanha. Em 2010, recebeu também o prêmio de Melhor Conquista Esportiva no Les Icares du Cinéma, na França, justamente no berço do parapente.

As imagens registradas no filme são as grandes ondas do voo livre. Ali está a nata do esporte, voando no limite do possível.
Prepare-se para se surpreender.

SOL Paragliders

Indústria Brasileira Parapente

O Brasil também se destaca no cenário mundial do parapente pela qualidade dos equipamentos que desenvolve e produz. A empresa catarinense Sol Paragliders ocupa um lugar de honra, sendo hoje uma das fabricantes mais respeitadas no universo do voo livre internacional, um verdadeiro orgulho nacional que carrega o nome do país pelos céus do mundo.

Com mais de 30 anos de atuação, a Sol construiu uma trajetória sólida, baseada em fábrica própria, desenvolvimento tecnológico contínuo e rigor técnico, alcançando presença em dezenas de países. Seus parapentes, seletes, equipamentos de segurança, acessórios e linha de vestuário técnico acompanham pilotos de diferentes níveis, do iniciante ao alto desempenho, sempre com foco em qualidade, durabilidade e confiança.

Falar de parapente no Brasil sem mencionar Ary e Fernando Pradi, fundadores da Sol Paragliders, é um descuido imperdoável. São eles alguns dos grandes responsáveis por transformar o voo livre brasileiro em referência, contribuindo diretamente para o crescimento do esporte, a formação de pilotos e o reconhecimento do parapente nacional no cenário internacional.

Trabalhar há duas décadas com os produtos Sol na Vento Norte Paraglider é, portanto, mais do que uma escolha técnica. É representar uma história brasileira construída com seriedade, inovação, paixão pelo voo e compromisso absoluto com a segurança valores que nos acompanham desde os nossos primeiros passos.

O parapente oferece muito mais do que a experiência do voo. Ele conduz a descobertas, cria vínculos com lugares e pessoas e transforma cada ida ao morro em uma vivência que se soma à história pessoal de quem voa.

No fim das contas, não se trata apenas de distância, montanhas, recordes ou medalhas, mas da forma como escolhemos atravessar o território, lidar com nossos próprios limites e nos relacionar com o mundo fora e dentro de nós.

O incrível mundo do parapente

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