Todos os anos, pilotos estrangeiros escolhem o Brasil pelas condições consistentes de voo e pela possibilidade concreta de superar recordes pessoais durante as temporadas. Vindos de diferentes países, eles não vêm apenas para voar longas distâncias, mas também para conhecer cidades brasileiras a partir de uma perspectiva aérea, compreender o território, circular pela região e vivenciar a cultura local enquanto desenvolvem suas trajetórias aéreas .
Por muito tempo, Minas Gerais foi reconhecida como o grande epicentro do voo de distância no país, a ponto de ser chamada de o “Havaí do voo livre mundial”. Mais tarde, o Ceará revelou ao mundo o potencial extraordinário do sertão nordestino e redefiniu, de forma definitiva, a escala do que era possível realizar em um parapente. Foi ali que marcas impressionantes colocaram o Brasil de forma definitiva no centro das atenções do voo livre internacional, com anos consecutivos de recordes mundiais sendo superados e uma movimentação crescente de atletas, equipes e visitantes do mundo do ar.
Com o passar do tempo, novos cenários foram sendo descobertos e consolidados. Hoje, além do Ceará, outros estados brasileiros passaram a integrar o roteiro da elite mundial do parapente quando o assunto é voo de distância, Cross Country. Regiões como Pernambuco, Paraíba e o norte de Minas Gerais tornaram-se destinos recorrentes para pilotos que buscam alta performance, e claro, há também um grande fluxo de estrangeiros não em busca de gigantes voos, mas sim explorar as nossas paisagens marcantes, hospitalidade e experiências autênticas.
Nos territórios do XC, também se fortaleceu a prática dos voos rebocados, em que a decolagem ocorre ainda nas primeiras horas da manhã com o auxílio de sistemas de reboque, liberados logo após a saída do solo. Ao decolar cedo com o reboque, o piloto consegue se posicionar estrategicamente para aproveitar o início desse ciclo e permanecer voando por muitas horas. Esta sendo amplamente utilizada em regiões capazes de sustentar marcas superiores a 500 quilômetros de distância, transformando áreas remotas em pontos estratégicos do turismo esportivo internacional.
As condições climáticas favoráveis, a vasta extensão territorial, a diversidade de relevos e as paisagens, fazem do Brasil um verdadeiro chamariz para o Cross Country. Enquanto grandes distâncias continuam sendo percorridas e limites seguem sendo superados, o parapente atua como vetor de desenvolvimento local, intercâmbio cultural e uma forma singular de conexão profunda com o território, uma experiência que começa no ar, mas se estende ao solo, às pessoas e às paisagens que tornam cada destino único.