Vento Nortenha Catiane Kugelmeier realizando caminhada no Morro do Araçatuba, na Serra do Mar do Paraná, durante atividade relacionada ao voo livre.

Quem Pode Voar?

Voar de parapente não exige força extrema, histórico esportivo ou um perfil aventureiro fora do comum.

Os requisitos para voar de parapente estão muito mais ligados à disposição para estudar, treinar e aprender.

De forma geral, o parapente é acessível a pessoas de diferentes idades e perfis, desde que atendam a critérios básicos de saúde, mobilidade e responsabilidade. Ao longo desta página, explicamos com detalhes quem pode voar, quais são os limites técnicos e quando é necessário passar por avaliação médica individual.

REQUISITOS PARA VOAR DE PARAPENTE

O que realmente importa para começar a voar de parapente?

Será que eu posso? Será que é para mim? Será que eu consigo voar sozinho(a)? Essa e tantas outras perguntas sempre nos fazem, e elas raramente vem sozinhas. Normalmente aparecem acompanhada de outras:

Qualquer pessoa pode voar de parapente?

Existe peso mínimo e máximo?

Existe idade mínima e máxima?

Alguma restrição?

Quem tem medo consegue?

A mente que se abre a uma nova ideia jamais retorna ao seu tamanho original.

Albert Einstein
Físico alemão. Prêmio Nobel de Física. Judeu, pacifista e ativista político, refugiado do nazismo.

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PÚBLICO DO PARAPENTE

Qualquer pessoa pode praticar o parapente?

Idade Mínima

Na Vento Norte, a formação de pilotos é destinada a maiores de 18 anos. Estudos em neurociência do desenvolvimento indicam que habilidades ligadas à avaliação de risco, regulação emocional e tomada de decisão continuam em maturação ao longo da adolescência e início da vida adulta. Esses fatores influenciam diretamente a segurança em atividades que envolvem risco real, como o voo de parapente.

Idade Máxima

Não existe um limite máximo. O critério é ter condição de saúde compatível e capacidade funcional e cognitiva adequada para a prática.A maturidade costuma trazer algo precioso para o voo: prudência, escuta e respeito aos processos. No parapente, isso não é detalhe, é base de segurança.

Voar de parapente é um esporte muito interessante, pois quebra alguns paradigmas: quanto mais velho você fica, mais experiente, melhor serão seus voos.Ou seja, com o passar do tempo a gente fica mais bem preparado, diferentemente de outros esportes que exigem demais da nossa condição física. Por exemplo, eu jogava basquete, mas com minha idade não consigo mais competir com a molecada, pois não tenho a mesma preparação física, apesar da minha pontaria na cesta ter melhorado. Com o parapente é diferente, quanto mais o tempo passa, mais experiente eu fico e melhor serão minhas decisões no ar.

Marcos Meier
Marcos Meier é psicólogo, professor de matemática, escritor e mestre em educação. Palestrante nacional e internacional a respeito de relacionamento interpessoal nas empresas, educação de filhos e formação de professores e piloto Vento Nortenho.
AUTO CONFIANÇA

Precisa ter um “perfil aventureiro” ou coragem fora do comum?

Coragem, no voo livre, não é busca por adrenalina. É a capacidade de agir com clareza e responsabilidade, mesmo quando o frio na barriga aparece e ele vai aparecer.

Existe uma ideia equivocada de que o parapente é para pessoas impulsivas ou destemidas. Na prática, o voo livre pede exatamente o oposto.

O que se desenvolve no parapente é um espírito aventureiro consciente: alguém que estuda, planeja, observa, aprende com a própria experiência e se supera com responsabilidade.

Aqui mora um alívio importante: não é sobre ausência de medo, é sobre aprender com o medo.

O parapente exige pessoas dispostas a:

  • estudar e compreender os fundamentos do voo,
  • planejar antes de agir,
  • ouvir instruções e respeitar limites,
  • reconhecer o medo e lidar com ele de forma consciente,
  • aprender de maneira progressiva, sem atalhos.

A confiança não nasce pronta. Ela é construída ao longo do processo de aprendizado, passo a passo, treino após treino, estudo após estudo e voo após voo.

“É melhor navegar com um mapa imperfeito do que jamais sair do porto.

Herman Melville
Escritor, poeta e ensaísta americano, conhecido por seu romance Moby Dick
APTIDÕES FÍSICAS

Precisa estar em boa forma física?

Essa é outra dúvida clássica e quase sempre carregada de receio.

Tem que ser atleta?

Não. Parapente não é crossfit aéreo. Não exige força, nem resistência atlética de alto nível. O que se espera é: mobilidade básica, capacidade de caminhar em trilhas leves e reflexos.

E se eu não tenho condicionamento físico?

O condicionamento físico ajuda, mas não é uma exigência inicial. É comum que pessoas comecem o curso em uma fase mais sedentária e, com o tempo, desenvolvam mais cuidado com o corpo, motivadas pelo próprio processo de aprendizado e pela relação mais consciente com o movimento.

Precisa correr muito?

Não. A corrida na decolagem é curta e técnica, não é uma prova de velocidade. Com orientação correta, ela se ajusta ao perfil do piloto. Algumas decolagens se quer exigem corrida, mas sim alguns passos.

Pessoas acima do peso podem voar?

Sim. Desde que o peso esteja dentro do limite operacional do equipamento que pode alcançar até 240kg e que a pessoa apresente mobilidade e reflexos compatíveis com a prática.

Quem conhece seus limites encontra sua força.

Friedrich Nietzsche
Filósofo, filólogo, crítico cultural, poeta e compositor alemão
ANTECESSORES

Precisa ter experiência prévia?

Pessoas que nunca fizeram esporte conseguem aprender?

O parapente não exige histórico esportivo nem aéreo e nem de montanha. O curso serve justamente para isso.

Sou piloto de Planador/ avião/paraquedismo/ balão.

Não interferem de forma significativa no aprendizado do parapente. São aeronaves distintas, que operam de maneiras diferentes, embora trafeguem no mesmo fluido: o ar. É necessário estudar e treinar o parapente da mesma forma que uma pessoa sem contato prévio com esportes aéreos. A familiaridade com o ambiente aéreo pode trazer mais conforto inicial, mas não substitui o aprendizado técnico, o treinamento progressivo e a construção da consciência específica do voo de parapente.

Aprendemos com a experiência refletida, não com a experiência isolada.

John Dewey
Filósofo da Educação
REQUISITOS MÉDICOS

Quais são as exigências médicas?

No Brasil, não existe uma lista oficial de proibições médicas absolutas para a prática do parapente. A avaliação é feita de forma individual, considerando as condições de saúde física e psicológica de cada pessoa.

Para fins de comprovação, é aceita a Carteira Nacional de Habilitação (CNH), já que ela inclui exame médico e psicotécnico. Quem não possui CNH deve apresentar um atestado médico que indique aptidão para a prática de atividade física.

Manter os check-ups médicos em dia é um cuidado individual e sempre necessário para uma boa qualidade de vida. Essa atitude contribui para uma prática mais segura e consciente desde o início, não apenas no parapente, mas em todas as esferas da vida.

O corpo é a carruagem, o eu é o condutor, a mente são as rédeas, os sentidos são os cavalos.

Katha Upanishad – séc. IV a.C.
Texto filosófico da tradição indiana, escrito há mais de 2.500 anos, e faz parte dos Upanishads, que são a base reflexiva e contemplativa do pensamento védico

COMO REFERÊNCIA

Orientações sobre a saúde

O conselho médico da Federação Francesa de Voo Livre estabelece algumas diretrizes como referência, e que norteiam algumas questões de saúde, sempre lembrando que na medicina não existe resposta genérica. Cada caso deve ser avaliado com responsabilidade, considerando as exigências do paciente.

Sistema Nervoso

Contraindicações até estabilização clínica:

  • Epilepsia, perda de consciência, distúrbios neurológicos não controlados.
  • Transtornos psicológicos com perda de domínio de si.
  • Uso de substâncias ou medicamentos que afetem vigilância e controle.

Avaliação individual caso a caso: Sequelas neurológicas, sequelas de edema cerebral por altitude.

Mobilidade

Contraindicações:

  • Instabilidade de ombro não tratada. (refere-se a casos em que a articulação apresenta episódios de deslocamento ou sensação recorrente de “escapar” interrompendo o movimento).

Caso a caso: Alterações de propriocepção (percepção corporal), instabilidades da coluna com travamentos ou falhas e hérnias em pós-operatório recente devem ser avaliadas individualmente, pois podem comprometer a segurança na decolagem, no voo e no pouso.

Sistema Cardiovascular e Respiratório

Doença cardíaca grave instável.

Distúrbios respiratórios, episódios de tontura e alterações de equilíbrio que não estejam estabilizados devem ser avaliados individualmente por um médico, para definição de tratamento, controle do quadro e liberação adequada para a prática.

Visão e Audição

Cegueira unilateral e perda auditiva significativa devem ser avaliadas individualmente, pois podem interferir na percepção do ambiente e na comunicação durante a prática. Dependendo do grau de adaptação e das estratégias adotadas pelo seu médico, a atividade pode ser realizada com segurança.

Questões emocionais

Ansiedade, histórico de depressão ou TDAH não são impedimentos para a prática do parapente quando os quadros são leves ou bem manejados. A avaliação individual é indicada apenas em situações mais severas, não estabilizadas ou que comprometam o domínio de si, o foco necessário para a segurança e a tomada de decisão exigidos pelo voo.

Coluna com histórico de lesão

Depende do grau da condição, do controle do quadro e do acompanhamento adequado.

Em muitos casos, a prática é possível ser realizada com tranquilidade, outras com adaptações, progressão cuidadosa e orientação profissional do seu médico. Em outros, pode ser necessário mais cautela ou o adiamento do início, até que haja maior estabilidade física.

Isso não serve apenas para a coluna, mas para todo sistema osteomuscular.

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Essa e tantas outras perguntas sempre nos fazem, e elas raramente vem sozinhas. Nesse artigo respondemos todas essas questões com profundidade.

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